Vale a pena ler esse dossê que o jornalista Luís Nassif está escrevendo sobre a Veja. Ele "mata a cobra e mostra o pau" descrevendo a trajetória promíscua entre notícias e negócios da editora Abril. Acesse ele aqui.
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27.2.08
15.2.08
Espaço para debater
Está montada aqui na arena a coordenação do Jornal de Debates, um veículo que se propõe a debater diariamente alguns temas com os internautas.
Inspirado na história do jornal de debates de 1946, um folhetim impresso que debatia temas como o divórcio e direitos das mulheres, o novo Jornal de Debates foi fundado há aproximadamente dois anos e busca mobilizar a sociedade com questões relacionadas à sociedade em rede.
Conversei com Felipe Meyer, o diretor de arte, que me contou toda essa história. O legal é que eles estão fazendo camisetas com frases estampadas dos temas. Aliás o que me chamou a atenção para procurar e conhecer a galera que tava aprontando essa foi justamente ver as pessoas vestidas nas frases: "Pra que server um nerd?", "Os jogos eletrônicos são nocivos à saúde?" ou ainda "O Orkut é (f)útil?".
Inspirado na história do jornal de debates de 1946, um folhetim impresso que debatia temas como o divórcio e direitos das mulheres, o novo Jornal de Debates foi fundado há aproximadamente dois anos e busca mobilizar a sociedade com questões relacionadas à sociedade em rede.
Conversei com Felipe Meyer, o diretor de arte, que me contou toda essa história. O legal é que eles estão fazendo camisetas com frases estampadas dos temas. Aliás o que me chamou a atenção para procurar e conhecer a galera que tava aprontando essa foi justamente ver as pessoas vestidas nas frases: "Pra que server um nerd?", "Os jogos eletrônicos são nocivos à saúde?" ou ainda "O Orkut é (f)útil?".
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Aquário dos Dinos no Campus Party
Foi construído um "aquário" no meio da arena do campus-party pra acomodar o pessoal da imprensa. Esse vídeo mostra uma ação do pessoal do campus protestando contra o jornalismo tradicional. A primeira metade é muito engraçada! Prestem atenção no texto dos mini-cartazes.
Jornalismo e a nova economia
Hoje (quinta, pois ainda não dormi!) no início da noite foi montada uma mesa com jornalistas e blogueiros pra discutir o tema Jornalismo e a nova economia. A organização da mesa propôs perguntas que contrapunham os hábitos tradicionais da imprensa com as novas ferramentas de comunicação, principalmente a blogosfera.Realmente não pretendo dizer quem falou o que. Vou apenas pinçar algumas idéias que foram tratadas nessa mesa. Um senhor de certa idade, jornalista de carreira, disse que estamos vivendo a era da convergência. Que da tela do computador a pessoa pode acessar jornais, tvs, revistas, rádios. Acha que esse fenômeno da comunicação está causando um empobrecimento da linguagem e coloca em risco a qualidade da informaçao devido a falta de seletividade de quem escreve. Sou totalmente contra essa fala. Primeiro que o que considero mais importante dessa era não é o fato de se acessar tudo através de um mesmo aparelho, mas sim que esse aparelho permite uma interatividade virtualmente ilimitada. Permite que outras vozes ecoem, sejam lidas, debatidas e até, ignoradas. Depois, quanto à questão do empobrecimento da linguagem, acho que mudar é próprio da língua. A norma culta não é falada por ninguém, pois até os escritores mais eruditos ignoram algumas regras ainda obrigatórias da gramática portuguesa (como a mesóclise por exemplo) e, além disso, cabe lembrar que tanto o português quanto o brasileiro, só existem porque o latin foi sofrendo alterações causadas pelo uso, ou, como querem alguns, "empobrecendo" com o tempo.
Uma jornalista da Abril, também presente na mesa, considera que o que está ocorrendo é uma alteração do canal, ou seja, do meio pelo qual o jornalista se relaciona com o seu público. De novo aparece a idéia de que sempre existirão os detentores da informação de um lado e aqueles que necessitam dela do outro. Discordo. Acho que não estamos diante somente de uma alteração dos canais de comunicação, mas sim da multiplicação dos fluxos, considerando que a informação não é privilégio de uma pessoa ou grupo mas que está na mão (e na cabeça) de todo mundo (Sou mesmo um eterno otimista!).
Outro jornalista presente na mesa, entende que as redações são muito importantes para o jornalismo investigativo, que ocorre quando o reporter fica dedicado meses (ou até anos) numa matéria, sem ter condição de publicar nada de novo. Nesse raciocínio, os blogs não teriam condições de bancar essa empreitada pois sua prerrogativa é justamente a da publicação constante. Dessa forma, uma blogosfera forte seria aquela que se dedica a reunir as informações que estão por aí, percebendo coisas novas antes mesmo dos grandes veículos. Cita como exemplo o escândalo dos cartões de crédito, cujos dados estavam disponíveis no portal da transparência mas que só foram descobertos por jornalistas. Numa previsão pessimista, ele entende que a "festa da internet" vai acabar. Isso significa que as grandes empresas de mídia, que muitas vezes possuem negócios na área de telecomunicações (isso quando não fazem parte do mesmo grupo), tomarão medidas para dificultar o acesso aos blogs que, naturalmente, possuem custo de produção muito inferior ao dos grandes portais. Essas medidas consistirão em cobrar taxas exageradas na utilização da estrutura de comunicação necessária para dar acesso veloz aos seus leitores, de forma que somente grandes empresas poderiam bancar, revertendo os números de audiência em favor delas.
O contraponto colocado pelos blogueiros presentes à mesa foi muito interessante. Houve quem falasse que o jornalista não sabe gerar conteúdo que as redes sociais pedem pois são formados para a mídia escrita (jornal) e rádio/tv convencionas. Ainda nessa linha, falou-se que mesmo os jornalistas que trabalham nas mídias digitais, em sua maioria, ainda pensam com "cabeça de papel". Deu pra perceber também uma certa divisão entre os blogueiros. De um lado estariam aqueles que acham que o jornalismo está morto e que o futuro da informação é mesmo transitar pela blogosfera e pelas redes sociais. Do outro lado estão aqueles que acham que o jornalismo convencional sempre terá sua importância no jornalismo investigativo e na produção de material com um certo requisito de qualidade. Eu tendo mais pro lado do primeiro grupo, acho que uma rede de pessoas tem grande capacidade de investigar se estiverem conectadas através da tecnologia da internet e de uma certa filosofia. E quanto à qualidade, acredito no princípio da educação de qualidade que deve dar às pessoas acesso às mais variadas culturas e o senso crítico para optar. Daí viria o processo da seleção natural: aquilo que não agradar tenderá a ser ignorado.
Para terminar esse longo (espero que nem tão enfadonho) texto relato um momento engraçado do debate, quando uma jornalista deixou escapar que os professores têm tido problemas em receber dos alunos trabalhos realizados com base na Wikipédia e não numa "enciclopédia de verdade". Recebeu um belo coro de vaias e teve que se explicar melhor. Bom, ninguém é obrigado a saber tudo. Para isso brindo vcs com um link de uma pesquisa realizada pela revista Nature que encontrou a mesma quantidade de erros na Wiki e na Britânica.
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